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Advocacia e o Coração da Tecnologia

Data: 07/06/2019 17:35

Autor: Rebeka Vieira*

 

    imgA tecnologia está transformando a prática da advocacia, a chegada de softwares jurídicos altamente eficientes, que fazem consultas em segundos, escrevem petições e oferecem soluções com agilidade e assertividade, estão inovando a advocacia tradicional.

    Esta revolução digital insere novidades como resolução de conflitos online, legal analytics, blockchain, e outras tecnologias para gestão de pequenos e grandes escritórios, exigindo destes profissionais, a busca por inteligência artificial para implantarem uma advocacia de alta performance, de forma que possam se tornar competitivos e consigam seguir prosperando em sua carreira.

    Isto não significa que os advogados serão substituídos por robôs, mas este futuro que se apresenta, exige dos profissionais do direito, desenvolver um novo mindset.

    Ao observarmos este caminhar inevitável, não é difícil prever para onde ele nos conduz como profissionais do direito. No coração da tecnologia, aqui traduzido como: a sua profunda entrega, está paradoxalmente, o resgate das atividades que o escasso tempo nos distanciou; no coração da tecnologia, está o nosso próprio coração. A tecnologia nos devolve o precioso tempo, tempo para a “vida lá fora”, para cuidar do que é precioso, para cuidar de relacionamentos, tarefas que a máquina não nos substitui.  

    Esta transformação digital caminha paralela à necessidade de transformação comportamental do advogado, o advogado do futuro precisa desenvolver novas habilidades negociais dentro desta perspectiva de humanização, de forma a ser mais sensível para extrair às reais necessidades e interesses do cliente.

    O cerne está no cuidado com o ser humano: cliente, em lançar um olhar mais afinado para o conflito e seu potencial transformador; na reconstrução de relações ao despertar uma comunicação compassiva, com enfoque prospectivo.

    Exige-se para este futuro que já se apresenta, uma atuação colaborativa do advogado, espelhada na nova economia, para construir soluções mais criativas com a perspectiva de ganhos mútuos, oferecendo ao cliente, ainda, celeridade, satisfatoriedade, e economia de recursos e tempo. É preciso saber caminhar pelo sistema multiportas, e entender que promover justiça não se confunde com acesso ao judiciário.    

    Neste contexto, a mediação ganhou protagonismo com o Código de Processo Civil, e com a vigência da própria Lei 13.140/2015 - lei de mediação, que promovem a prática de metodologias autocompositivas para  soluções de conflitos. 

    Mediação não significa simplesmente “fazer acordo”, mas sim, resgatar com ferramentas adequadas, a comunicação e contato que em algum momento foram interrompidos, buscando, a partir daí, a construção de consenso pelas próprias partes com o auxílio de um terceiro imparcial, atendendo as peculiaridades de cada caso, dando protagonismo, validando necessidades e sentimentos, e empoderando as partes envolvidas.

    Conciliar tecnologia e coração, é o que fazem os profissionais do futuro, que constroem o futuro que pretendemos deixar.

    Assim, trabalhar o desenvolvimento desta habilidade negocial e compreender como atuar dentro desta nova sistemática da justiça multiportas, faz parte deste pacote 4.0 da advocacia que prospera.

*Rebeka Vieira é advogada, mestre em mediação de conflitos e negociação pelo Institut Universitaire Kurt Bosck, Suiça, pós-graduada em transformação de conflitos, estudos de paz e equilíbrio emocional pelo Paz&Mente em parceria com a cátedra de paz da UNESCO na Universidade de Innsbruck, Áustria, e instrutora em compaixão baseada em Mindfulness pelo Instituto Cultivo, México.